Eu me acostumei a ser sozinha

Eu me acostumei a ser sozinha desde sempre. Antigamente não sabia onde havia começado isso de me dar bem com a solidão e me achar auto suficiente pra tudo. Mas hoje, pensando nesse texto, eu lembrei.

Começou quando eu era bem pequena e os meus pais tinham que viajar muito. Eu ficava com os meus avós. E não, não estou reclamando. Mesmo que eu não lembre direito da época, sei que foram uma das melhores fases da minha vida. Os meus avós cuidavam de mim muito bem e me ofereciam tudo de bom e melhor. Mas, com isso, eu meio que me acostumei a não ter as duas pessoas que mais amava na terra do meu lado a maior parte do tempo. Antes de dormir ou depois de acordar. Me acostumei com o “boa noite” através de uma ligação e um “Feliz Natal” num cartão que tocava música quando eu o abria. E isso, de certa forma, me fez perceber que o amor não era sempre estar perto, mas estar presente e que às vezes estar sozinha pode te deixar forte. Mesmo que na hora seja ruim e que você não consiga entender direito. Por exemplo: sempre quando eles iam embora, eu chorava muito nos primeiros dias, mas depois, mesmo que ainda sentisse falta, já conseguia seguir em frente sem lembrar tanto. Isso é o que a vida faz com tudo depois cada momento de dor ou solidão. Ela fortalece.

Outra situação parecida, foi quando eu tinha uns 14 anos e tive que me mudar de cidade. Deixar minha casa, meus amigos, minha rotina e tudo o que eu havia construído para ir para um lugar novo. Que, inclusive, tinha tudo para me oferecer de melhor, mas que eu não sabia aproveitar direito por me sentir sozinha demais. Se eu admitia isso na época? Não. Os meus amigos nem imaginavam. A minha “fortaleza” me fazia parecer bem e sorrir todos os dias. Mas no fundo eu estava um caco. Só que eu entendia que não podia culpar ninguém por aquilo, não seria justo e nem bonito da minha parte ficar dividindo meus problemas com alguém que não tem nada à ver com isso e está a km de mim. Sei que é isso que os amigos de verdade fazem. Mas entre ter amigos de verdade e ser forte, naquela época, a minha escolha foi parecer a segunda opção. O que foi bem ruim, porque a dor ao invés de passar, piorava.

E, se você prestou bastante atenção, consegue entender que existe uma leve diferença entre um tipo de solidão e a outra. Sei que é estranho dizer, mas é verdade. E o fato das pessoas não prestarem atenção nisso é o que faz as nossas dores parecerem piores do que realmente são.

Da primeira vez eu não escolhi ficar sozinha. Eu tive que ficar. E, mesmo sendo bem nova, precisei ser forte para lidar com isso. Já na segunda não. Mesmo que não fosse fácil, eu escolhi a solidão sem nem tentar dar chance para algum sentimento bom. Eu escolhi não só estar sozinha, mas me sentir também.

É essa a grande diferença. Entre estar sozinha e se sentir sozinha. Você pode estar cercado de pessoas e se sentir só. Ou dentro do seu quarto e se sentir bem. Porque uma das maiores verdades dessa vida é que tudo depende da maneira que a gente sente.

Eu mesma, que me fiz tão de forte e durona, um dia desabei. Gastei toda a minha força atoa e quando realmente precisei dela não tinha base nenhuma. Por  isso aos poucos fui caindo, sem armaduras, máscaras e admitindo tudo o que eu sentia de verdade. O máximo que eu conseguia. Não preciso dizer que deu ruim também, né? Porque deu.

Eu esperei encontrar apoio em outros pilares que não fossem só meus. E ajudou? Um pouco. Mas não resolveu nada do que eu sentia. Foi aí que eu entendi o que era ser forte de verdade. E que é necessário um equilíbrio. Pessoas fortes também sentem, choram, sofrem, mas elas entendem que nem tudo vale o cinco minutos a mais de choro, sofrimento  até mesmo um drama.

Ser forte é se sentir suficiente de dentro pra fora. É saber, de verdade, que a única pessoa que pode resolver seus problemas é você. E é meio óbvio, que se você tiver fé, ajuda muito. Mas é necessário que você também acredite em você. Que você pode. Você consegue. Afinal, a realidade é que tudo passa. Então, quanto menos você tirar de coisas ruins e aproveitar mais das coisas boas, melhor.

Não coloque expectativas nos outros. As pessoas são falhas. Não conte com pilares alheios se às vezes nem o seu mesmo você dá conta de segurar. Se você não dá conta de segurar, por quê os outros dariam? Somos todos falhos. Pense nisso.

Entenda que gostar de estar sozinha é descobrir que a sua própria companhia te satisfaz. Que tem problemas que são realmente seus e ninguém vai conseguir resolver por  você. Cada pessoa é um mundo. E também entenda que você é a única responsável pela sua felicidade. Não espere ela vir em forma de uma surpresa, de um boa noite especial e nem nada. É muito legal se isso acontece? É, mas não se permita depender disso para sorrir. Porque se sentir sozinha sim é ruim, mas gostar de estar sozinha é ter se tornado alguém que você gostaria de ter do lado e saber aproveitar sua própria alegria das melhores formas possíveis, sabendo dividir quando for realmente necessário e for te acrescentar em algo.

 “Enquanto você esperar dos outros uma felicidade que só você pode se dar, você sempre vai se frustrar.”

Lembre-se que o que é pra ser reciproco não se cobra.

Um texto pra fechar ciclos

Eu lembro de quando eu te conheci. Nossos mundos se encontraram de uma forma tão bonita que parecia muito que tinha muito que ser. E foi.

Eu gostei e me abri com você de um jeito como eu nunca tinha feito com ninguém. Não sei se isso foi certo ou errado. Mas você deu vida em sentimentos que nem sabia que existiam dentro em mim. E era bom. Tudo o que a gente tinha era como estar dentro de um livro que eu nunca tinha lido, mas que a cada capítulo que eu lia (e vivia contigo) se tornava ainda mais meu favorito.

Lembra das sextas-feiras assistindo três filmes seguidos do Adam Sandler? Você tinha um ótimo gosto para quase tudo. E sempre pensava no melhor pra nós. Tanto que a gente praticamente virava noites assistindo. E mesmo dormindo muito tarde, às vezes nem dormindo, era difícil não estar feliz quando estávamos juntos.

Seja conversando, sobre coisas sérias ou bobas, brincando na rua, na esquina do prédio na sala de casa vendo TV ou ouvindo música a nossa felicidade dependia só de nós. Você queria ser feliz tanto quanto eu. E a gente queria muito se fazer feliz também. Nunca magoar um o outro. E é por isso que funcionava.

Lembro até hoje da primeira vez que a gente ficou junto. De quando eu fui te levar até a porta e você perguntou se podia me chamar de “bebê”. Umas coisas tão cafonas, mas que eu gostava porque vinham de você. Naquele dia, mesmo sem fechar os olhos direito, acordei feliz e sai pulando pelas ruas.

Lembro do dia que você me pediu em namoro na escada lateral. De quando você me trouxe as alianças. E de como você foi péssimo durante toda a semana tentando pegar – disfarçadamente – o tamanho do meu dedo. No final das contas você nem conseguiu adivinhar, mas, não sei como, conseguiu acertar e fez o anél dar certo.

Eu lembro de quando subimos num dos pontos mais alto da cidade e você ficou morrendo de medo da altura. Do dia que vimos uma estrela cadente ou sei lá o que era. Do vento que batia no meu rosto numa quinta feira a noite enquanto eu te esperava para entregar seu primeiro presente de aniversário. Sim, eu tava muito nervosa. Mas consigo lembrar até do cheiro do seu perfume na época e do gosto horrível do champgne errado que comprei junto só pra tentar te impressionar.

Eu lembro de quando a gente dançou Mirrors na sala do apartamento em um domingo de manhã. E essa era nossa música oficial, mas tiveram muitas outras também. Por isso a gente combinou de montar playlists que fazia um lembrar do outro e ficamos ouvindo e rindo muito juntos. Cada música era uma sensação e sentimento novo que sentíamos.

Eu também lembro do dia que, muito tempo disso tudo, demos nossos últimos beijos juntos. Estávamos na rodoviária e você ficou esperando meu ônibus chegar comigo. Surpreendentemente aquele dia seria um dia bom de se lembrar se ainda estivéssemos juntos. A gente não parava de se beijar. E ninguém, nem mesmo eu, poderia falar que alguns dias depois iríamos terminar. Mas foi assim que aconteceu. Aquele último beijo na plataforma tinha mesmo gosto despedida.

Sabe, eu já comecei muitos textos querendo te xingar. Quase com uma lista com uns cem motivos do porque a gente não deu certo – e em todos a culpa era sua. Mas, por mais que eu já tenha te culpado muito, enquanto escrevia esse, percebi que você não tem nada à ver com isso. Nem mesmo eu. E que deu certo sim. Pelo tempo que tinha que dar.

Até achei que meu coração ficaria mais aliviado quando jogasse na sua cara que você me teve nas mãos e conseguiu me perder. Que você me fez derrubar um muro pra te deixar passar e depois me fez erguer de novo um outro mil vezes pior e mais forte para ninguém nunca mais entrar. Porque era assim que me sentia quando a gente discutia. E eu, infantilmente e infelizmente, queria te fazer se sentir mil vezes pior do que eu. Afinal, um coração ferido só consegue ferir. Mas a verdade é que isso só seria magoar a mim mesma. E não era nada disso o que acontecia ou que eu deveria pensar e sentir. Então as únicas coisa que eu posso te dizer é: obrigada e me desculpa.

Obrigada pela paciência, por tudo que deu certo e o que não deu também. Obrigada por ter sido compreensível com a minha bagunça. E, mesmo com as diferenças e imprevistos no meio do caminho, ter me feito muito feliz como só você poderia fazer. E ah, me desculpa também. Por algo que eu fiz ou te deixei te fazer. Se precisar, saiba que você tem meu perdão e compreensão também, por tudo que naquela época eu não tinha maturidade o suciente para compreender.

É, eu jurava que superar era olhar pra trás e nem lembrar. Me enganei. Aprendi que, na verdade, superar e olhar pra trás com carinho, aprender com os erros e lembrar dos momentos bons sem deixar que eles te atrapalhem de seguir em frente.

Seja feliz e fica bem!

Você não precisa da aprovação de ninguém

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Hoje eu me peguei pensando no quanto perdemos tempo preocupados com opiniões de terceiros. Seja em uma simples decisão, atitude ou comportamento, estamos constantemente sendo julgados por quem está a nossa volta. A pior parte disso é que nós também julgamos outras pessoas nessa mesma posição. Mas é algo que quase nunca fazemos face a face, como se estivessemos querendo ver aquele(a) fulano ou ciclano melhorar. Não. Nós só julgamos mesmo, porque, infelizmente, estamos mais acostumados com isso do que com comentários para realmente ajudar.

Não tem como negar, se você é uma pessoa normal você já julgou alguém alguma vez. E o pior é que ao mesmo tempo que isso parece tão normal é, na verdade, uma das coisas mais erradas do mundo. Nós não temos esse direito, sabe? De falar da vida de outro alguém com tanta propriedade. Ninguém sabe o que ou como o outro verdadeiramente se sente e sente. Achamos isso e aquilo, mas exatamente, não é algo que podemos falar realmente.

E essa é uma das maiores provas de que o ser humano, com toda a liberdade para poder buscar ser o melhor que pode ser, muitas vezes limita-se por vontade própria na sua ignorância.

Julgamos a beleza das pessoas. E pior que isso, queremos padronizar, estereotipar, definir e opinar sobre algo único em alguém: seu jeito de ser. Tanto por dentro, quanto por fora. Com tanto para se preocupar, olha o que tornamos muitas vezes nossa preocupação. Vê se tem cabimento isso. Não, não tem.

Julgamos o comportamento, o erro, as falhas. Criticamos os tombos, mas quase nunca estamos dispostos a ajudar. Falamos demais e apontamos tanto o dedo para o outro que esquecemos de olhar para quem mais deveríamos tentar transformar, mudar e tentar fazer evoluir: nós mesmos. Posso dizer uma coisa? Grande parte da evolução começa quando você não decide julgar ninguém. Inclusive você. Afinal, você não vai saber o que é ser gentil com o outro se não for com você mesmo.

E acredito muito que quando começarmos a fazer isso, vamos entender também que não devemos nos preocupar com o julgamento dos outros. Afinal, a maneira como alguém te enxerga, julga e interpreta tem muito mais à ver com ela e com características dela do que, de fato, com você. Nós não somos o que os outros pensam de nós.

Ser feliz é tentar

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Eu nem sei se deveria escrever aqui sobre isso. Mas, se teve uma coisa que eu acabei de decidir, é que vou ser melhor com os meus sentimentos em 2017. Ser sincera comigo mesma. Com as minhas vontades. Com os meus sonhos. Até mesmo os meus medos. E é por isso tô escrevendo esse texto.

A verdade é que faz um tempo que percebi que pensar demais em tudo já me livrou de muitos arrependimentos. Acontece que o fato de eu não me arrepender não me torna mais feliz ou menos. Pelo contrário. Eu deixo de aprender muita coisa por isso e, às vezes, até fico me perguntando como teria sido.

Não adianta querer mudar o caminho mas estacionar na encruzilhada com medo de trocar de direção. Não adianta querer mudar o presente e futuro pensando demais no passado. Quando queremos resultados diferentes na nossa vida precisamos de atitudes diferentes e, se no meio do percurso, bater saudade do que já  passou, é preciso ser forte pra lembrar que se fosse tão bom assim não teria ficado para trás.

A gente perde muita, muita, muita, mas muita coisa boa nessa visa por medo de tentar algo novo. Eu talvez já tenha perdido várias. Talvez, na época, tenha sido melhor assim. Mas agora, com mais maturidade, mas experiência e alguns aprendizados sinto que é hora de mudar. De realmente me permitir. Não sair jogando tudo para o alto e nem muito menos perdendo o juízo, claro que não. Mas, pelo menos, me permitindo sentir. Me permitindo viver. Me permitindo entender a mim mesma e aproveitar a liberdade que eu custei a ter e entender como aproveita-lá melhor. Eu quero viver e sentir da melhor forma possível. Com menos medos, encanações e mais amor, mais coisas boas para contar.

Depende da música que eu escuto

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Da pessoa que eu vejo. Do lugar que eu estou. De como eu fui dormir. E de como eu acordei. Depende da roupa que eu visto. Do ônibus que eu pego. Do lugar que eu vou. E de quem eu encontro no caminho. Depende do cheiro que eu sinto. Do abraço que eu dou. Do beijo que eu vi na rua. E de como eu estou. A saudade de você, depende de tudo ao meu redor.

Sim, eu vou continuar escrevendo, pelo menos até eu achar coisa melhor para escrever. Não se sinta importante demais e nem de menos. Eu sempre faço isso. E você sabe. Inclusive, me agradeça, nos meus textos eu te deixo muito mais bonito e muito mais legal. Não que você não fosse. Quando eu converso com alguém e, por algum motivo, você surge no assunto – no caso a minha manir de falar demais – eu também te coloco lá em cima. Eu sempre gostei mais quando você estava de bom humor mesmo. Sorrindo você ficava mais bonito. Aliás, pra mim você ficava bonito de qualquer jeito. Até sua cara de bravo me deixava apaixonada.

Então por quê não deu certo? Porque não. Nós precisamos parar urgentemente de achar uma culpa ou culpado para as coisas relacionadas com o coração. Culpa vem de erros. E não ter ficado pra sempre com uma pessoa, mesmo quando o seu coração tinha certeza que iria durar, não é necessariamente um erro. Significa que foi bom, mas acabou e não era pra ser. Nem tudo que acaba é ruim. Pelo contrário. Estender as coisas por mais tempo que o necessário que é. A vida quis assim e a gente tomou atitudes para colaborar com ela.

Dói às vezes? Claro que sim, demais. Mas, apesar de tudo, eu gosto disso. De deitar na minha cama e não me preocupar com sentimento nenhum além do meu. De dormir sem pensar em ninguém antes. De me preocupar comigo mesma pelo menos mais um pouco. De me conhecer melhor sem precisar de alguém do meu lado para me dizer quem eu sou ou, pior, como muitos dizem, me completar. Eu já nasci completa.

Se eu falar que não sinto sua falta, é mentira. Se eu falar que não falo de você, é mentira. Se eu falar que não penso mais em você, é mentira, mentira e mentira. Mas se eu falar que voltaria no passado, deixando para trás as coisas que eu tenho no meu presente, estaria mentindo também. Eu acredito que estamos, sim, com saudade. Mas estamos melhor assim.

A saudade faz parte e nos faz entender que o passado valeu a pena. Mas não é só porque o passado foi bom que a gente precisa necessariamente voltar. Pelo contrário. Podemos usar apenas o que aprendemos com ele e deixar para lá tudo o que já se foi para abrir espaço para coisas novas entrarem, a felicidade é feita de todas elas e o erros do passado só serão necessários para nos fazerem aproveitar melhor e não errar tanto com as novas oportunidades.

A melhor coisa a se fazer com essa saudade, pelo menos no nosso caso, é deixar para lá.

Quase ninguém entende quando é pra você

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Eu ainda te amo do fundo do meu coração. Você ainda é uma das melhores coisas que poderia ter acontecido na minha vida. Minha lembranças com vocês são, por enquanto, uma das coisas mais bonitas que tenho para lembrar. Mas ninguém entende isso, ninguém entende quando é pra você. Nem mesmo eu consigo entender. E não sei direito o que fazer.

Sei que não é mais o nosso tempo de ficar juntos. O nosso amor não passou, mas o nosso tempo de amar já. O ciclo que iniciamos juntos teve um fim. E eu sei disso porque, dessa vez, não sangrou, só doeu. E a gente sabe que os piores machucados são assim. Quando sangra, esvazia. Mas quando não sangra, quando nada sai, é sinal de que as coisas precisam ser arrumadas de dentro pra fora, em silêncio e que envolvem feridas que somente o tempo e muito cuidado podem sarar. Cuidados silenciosos.

Eu ainda poderia escrever um livro sobre e para você. E ainda assim seria pouco para descrever cada um dos momentos bons que tivemos juntos. Você ainda é a minha primeira opção quando penso em alguém que me faria sorrir e perder todos os meus medos em questão de segundos. Você tem um poder sobre mim que ninguém nunca teve. E dificilmente algum outro alguém vai conseguir ter fácil assim.

As pessoas não entendem de você, elas não entendem o tempo que ficamos juntos e a nossa história provavelmente ninguém nunca vai conseguir ter noção do quanto foi tão linda que não dá pra explicar. Meu coração sorri só de pensar. Minha cabeça consegue voltar em cada cena, cada olhar, cada abraço de madrugada para me acalmar.

Mas Deus, eu sei, entende. Ele sabe que eu fui muito, muito, muito, muito feliz com você. Ele sabe que eu dei muita mancada, sim, mas que eu gostei de você. Do meu jeito torto, errado e louco, mas gostei. E sei que Ele sabe o que fazer. Ele sabe o porque é melhor assim. E, no tempo dele, Ele vai nos explicar e mostrar, aliás, já tem mostrado porque é melhor assim. Basta a gente tentar entender, aceitar e viver a felicidade que Ele quer nos proporcionar.

É melhor assim pra você e pra mim.

Isso não quer dizer que eu esteja bem

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Leia ouvindo: Bruninho & Davi – Como é Que Ta Aí em Casa?

Eu disse que eu não gostava mais de ninguém. Isso é verdade. Mas dizer que eu estou bem, é outra história. Por fora, na maior parte do tempo, está tudo certo. O problema é quando lembro que aqui por dentro o meu coração tá quebrado em mil partes diferentes.  E não tenho a menor ideia de como começar a arrumar.

Porque juntar esses pedaços é o que mais dói. Não tenho nem ideia de por onde começar. Toda vez que eu tento encaixar em algum lugar alguma das partes, jurando que vai dar certo, só machuca mais.

Eu não sei o que fazer. Eu não quero voltar para o meu passado, isso é fato. Mas não tenho a menor ideia do que ando fazendo com o meu presente. O futuro sem você me assusta. Mas eu não consigo mas ver um futuro juntos para nos dois.

Me desculpa por voltar a escrever tanto de você de novo. Eu te disse, antes mesmo da gente ter alguma coisa de fato, que eu era dessas. Eu tô tentando colocar pra fora o que tá pulando do meu peito. Eu tô tentando vomitar o que embrulha o meu estômago. Arrumando um jeito de tirar isso de mim sem ser em lágrimas.

Por enquanto, eu sigo sorrindo, e às vezes até fico feliz de verdade sabendo que tô melhor assim, mas sem a menor ideia do que eu vou fazer pra tirar você, de fato, de dentro de mim. Espero que uma hora eu consiga encontrar e tornar real a ideia de viver sem você.

Fica bem que eu vou dar um jeito de ficar também.

Eu não gosto mais de ninguém

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Desde pequena sempre gostei de alguém. Às vezes o menino da pré escola – literalmente – nem sabia da minha existência, mas eu já imaginava que ele seria meu príncipe encantado. Lembro também que gostei de um menino quando estava na quinta série e ele na sexta, só a possibilidade dele mudar de período nos próximos anos me assustava. Ele não dava a mínima, eu jurava que amava. E cresci assim, gostando, gostando, gostando até demais. Pior que até gostava de gostar tanto assim.

Criei tantas expectativas, que quando comecei ver as minhas amigas mais corajosas vivendo a realidade percebi que namorar não era tão legal assim. Por isso, apesar de estar quase sempre apaixonada por alguém, a possibilidade de me entregar de cara nunca existiu. Sempre pensei mais de um milhão de vezes antes de dizer alguma frase, ou agir de uma maneira diferente que pudesse fazer parecer que estava apaixonada. Bem pelo contrário. Forçava situações para provar que não estava. Que estava longe de estar. Tudo tentando enganar a outra pessoa.

Até que um belo dia eu me apaixonei de verdade. As coisas aconteceram de verdade. E, por mais que hoje eu não esteja mais com aquela pessoa, valeu a pena me entregar. Não sei se tenho motivos para me arrepender do que não fiz. Acredito que tudo tenha um porque. Se foi assim, tinha que ser. Se aconteceu com ele, e não com os outros, é porque era para ser melhor assim. A questão é que com ele aprendi muito também.

Eu já gostava muito de mim. Ele me ajudou a gostar mais. E me mostrou que quando alguém gosta de verdade da gente, gosta assim, de todos os jeitos e o que não é de acordo aprende a respeitar. Porque amor de verdade é assim: bondoso, paciente e do bem. E faz bem.

O amor de verdade faz tão bem que até na hora de acabar é bom. Um dos meus maiores medos era me prender demais a algo incerto. Não estar 100% feliz com o futuro. E perder alguém que amo também era algo que me assustava. Quando terminamos eu percebi que finais de ciclo não são o fim do mundo, eles acontecem por um motivo e para a nossa evolução. Para que coisas maiores aconteçam.

E hoje, depois de me apaixonar muito, eu percebi que vale mais a pena se apaixonar pela pessoa certa do que sair por aí gostando de quem lhe convém. E é por isso que eu tô bem mesmo sem ninguém. E por hora, prefiro nem procurar, nem mesmo por distração. Tenho coisa melhor para me apaixonar: tipo a vida, viagens, séries, músicas e, principalmente, eu mesma.

Ainda tem muito de mim para eu conhecer e gostar.

Mas sou grata pelo que me apaixonar demais conseguiu me ensinar. Principalmente quando me apaixonei pra valer. E estou feliz demais aprendendo a seguir assim, gostando muito mais de mim. É tão bom dar um tempo para os seus sentimentos se organizarem. Vocês deveriam tentar.

 

 

 

Opostos identicos

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Alguns são colegas de trabalho. Outros amigos. E outros amigos com benefícios. Alguns são namorados. Outros são só o final de semana. E outros a semana inteira – menos o final dela. Alguns são casados. Outros são amantes. E outros são tudo o que não queriam ser, enquanto alguns são tudo,isso. É que por algum motivo – distância, estudos, família – algumas pessoas não podem ficar juntas. Não é o nosso caso. Mas, e quanto a nós: o que nós somos?

Não passamos 24 horas sem discutir por algum assunto. E eles quase nunca são sobre nós. É claro que você me irrita quando deixa as louças em cima da mesa. E ainda me diz que é seu jeito quando faz certas coisas que acho tão erradas e você diz que é frescura. Mas nada me tira mais do sério do que discutir política do seu lado. Sou do tipo que não aceita coisas mal resolvidas. E pra você, tudo sempre tá tão bom que quase me assusta. Admito que por um longo tempo quis ser tipo do seu jeito e não me importar com quase nada. Mas eu me recuso. Tudo tem um jeito. Se até nós temos, ou pelo menos tentamos, porque o Brasil não pode mudar?

O pior nem é isso. É saber que apesar de cada briga idiota que temos. De cada vez que terminamos e voltamos. De cada vez que falei coisas que não quis dizer. De cada noite que sai sem avisar e sem querer voltar. De cada discussão que você não entendeu nada. E até mesmo depois de combinarmos que seria melhor assim, um longe do outro, uma semana é muito longa sem nós dois juntos. Chega até me dar um pouco de raiva dizer isso, porque é muito verdade. Até quando fazia de tudo para não te encontrar – mesmo querendo muito te ver ou nem querendo olhar para sua cara – o destino dava um jeito de te mostrar.

O pior é saber que brincamos de testar um o outro por nos conhecermos tão bem. A gente já aprendeu a apostar no destino porque ele sempre dá um jeito. Como naquela sexta feira em que te esbarrei no shopping sem querer. Nos despedimos sem prolongar conversa demais. Eu sai com raiva por você não ter vindo atrás. E você ainda mais por eu não ter te pedido para ficar. Cada um para um lado. Tive que voltar, e fazer o mesmo caminho que o seu, porque o lado direito já tinha sido fechado. Você, aparentemente, já tinha ido embora. E eu fiz o caminho mais longo sozinha. Com mais raiva ainda por não ter ninguém para conversar. Quando, do nada, olho para trás e é você. ”É que eu, por algum motivo, olhei para trás e te vi virando a rua e achei que era um sinal para eu vir aqui”.

Nós dois somos o oposto mais parecido do mundo. Duas linhas para lados opostos que sempre se cruzam. Acho que esse é o nosso tipo de relação. Existe algo tão forte entre nós, que mesmo com quase todas as diferenças mostrando que, ”olha, não vai dar muito certo não”. A gente faz dar. E é algo tão, mas tão forte, que me faz ter até medo de admitir, mas que nunca achei e nem vou achar em mais ninguém. Nós até tentamos, né? Dessa vez é pra valer – juramos. Não valeu. A única coisa que valeu, foi a certeza de saber o que tem em você eu não acho em mais ninguém – até as manias que mais mais me irritam. E espero que vice e versa. Porque você sabe, né? Sou a única que aguenta você jogando e falando sozinho de madrugada na frente do computador. E pior, que gosta disso.

Eu também não sei porque gosto de você

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E essa é a graça da coisa.

Para ler esse texto ninguém precisa namorar. Basta ter alguém na sua cabeça no momento em que ler o título. E ele não precisa ser, necessariamente, seu. Mesmo que você, sem dúvida nenhuma, seja dele. Ao contrário do que pensam, não porque a sociedade diz que é assim, sim porque seu coração pede.

Sabe quando depois de uma semana inteira de trabalho, o que o seu corpo mais deseja é se jogar que não seja naqueles braços e receber um abraço? Mesmo que seja naquela festa por cinco minutos e depois perde-lo de vista. Ou a noite toda em casa abraçada vendo um filme qualquer. É isso. O que importa é sentir. Sendo assim, cada segundo juntos compensa. Isso é se apaixonar.

Eu sei como é isso. Sei como é se sentir assim. Como é ter essas milhões de coisas passando pela sua cabeça. E mais um milhão e meio dentro do seu coração. Sei como é querer ter certeza do sim mesmo com a vida pedindo para cê colocar esses pés no chão. Olhar para o lado, não enxergar motivo concreto algum para continuar e, ainda assim, querer cada vez mais. Isso é se perder. E só os apaixonados se perdem.

Eu estou apaixonada. Sei disso porque não tenho motivo nenhum para estar. Parece que é assim que a gente gosta de ficar. Sem saber, sem pensar, só sentir.  E eu sinto. Sei disso porque mesmo sem muitos motivos é do seu lado que quero ficar. Não tem um porque. Apenas para estar. Mesmo que existam outros lugares, outras pessoas e sorrisos. Mesmo que sejam melhores ou piores. Não vejo isso. Vejo você. E parece ótimo. Parece ser exatamente o que preciso ver. Mesmo não vendo nada. Simplesmente porque estou cega. Porque estou perdidamente apaixonada.